Seminário da Educação nos Anos Iniciais reúne professores para compartilhar práticas de alfabetização em João Monlevade
O 3º Seminário de Alfabetização promoveu a troca de experiências entre educadores do 1º e 2º anos, com foco nas práticas pedagógicas e na garantia da aprendizagem de todas as crianças.

A Secretaria Municipal de Educação (SME) realizou, na segunda-feira (26), o 3º Seminário de Alfabetização dos Anos Iniciais, com o tema “Alfabetização nos Anos Iniciais: práticas que ensinam, aprendizagens que transformam”. O encontro reuniu professores e coordenadores pedagógicos que atuam com turmas do 1º e 2º anos do Ensino Fundamental da rede municipal, no auditório da Escola Municipal Cônego José Higino de Freitas.
O seminário promoveu a formação, a reflexão e o compartilhamento de práticas pedagógicas desenvolvidas nas escolas, fortalecendo o trabalho coletivo dos profissionais e o compromisso com a alfabetização na idade adequada. A programação contemplou estratégias para o ensino da leitura, da escrita e da matemática, além de abordagens que consideram os diferentes ritmos e necessidades de aprendizagem das crianças.
Durante a abertura, a secretária municipal de educação, Alda Fernandes, ressaltou a importância do trabalho cotidiano dos educadores e da troca de experiências entre as escolas. Com experiência na gestão escolar, ela destacou que o processo de alfabetização exige dedicação e sensibilidade para compreender que cada criança aprende de uma maneira e em seu próprio tempo. “É uma mágica do professor descobrir o que precisa fazer para que cada criança aprenda. A mágica está no fazer do dia a dia. É lá que acontece a alfabetização”, destacou ao valorizar, também, as práticas construídas pelos educadores na rotina escolar.
A articuladora municipal do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada e coordenadora pedagógica da SME, Gilmara Mendes, reforçou que garantir a alfabetização é uma responsabilidade coletiva da rede municipal. Ela destacou que o direito de aprender a ler e escrever deve orientar o planejamento, as intervenções pedagógicas e as decisões dos profissionais da educação. “Garantir que as crianças aprendam a ler e a escrever na idade adequada é um direito delas, mas também precisa ser um compromisso inegociável de cada um de nós”, enfatizou.
A programação de abertura contou também com a leitura do livro “As Três Vidas de Fred”, conduzida por Flávia Célia, gestora do Cemei Imaculada Conceição. A atividade destacou a importância da literatura para ampliar o repertório cultural das crianças e integrar as experiências de leitura ao cotidiano escolar.
Na sequência, a estudante Maria Fernanda Lima, do 2º ano da Escola Municipal Cônego José Higino de Freitas, representou as crianças da rede e compartilhou sua experiência com a leitura e a escrita e recebeu o Certificado de Criança Alfabetizada, em reconhecimento ao seu percurso de aprendizagem. Ao falar sobre sua vivência na escola, demonstrou entusiasmo pelas descobertas e pelo conhecimento. “Eu amo aprender mais a cada dia, amo estudar”, afirmou.
As apresentações foram organizadas em dois blocos temáticos, com experiências desenvolvidas por seis escolas municipais. O primeiro, “Acompanhamento das aprendizagens e intervenções pedagógicas”, abordou estratégias de avaliação, planejamento e acompanhamento do desenvolvimento dos estudantes.
A Escola Municipal Monteiro Lobato apresentou a experiência “Avaliar para avançar: a avaliação formativa no processo de alfabetização”, compartilhada pela coordenadora Nathália Soares e pela professora Shirley Aparecida. A proposta destacou a avaliação como ferramenta para acompanhar as aprendizagens e orientar as intervenções pedagógicas.
A Escola Municipal Germin Loureiro apresentou “Ler, escrever e avançar: caminhos para garantir a aprendizagem”, com a professora Raquel Pedro e a vice-diretora Lia. A experiência foi desenvolvida a partir de uma sequência didática com a obra “O Trenzinho do Nicolau”, articulando leitura, escrita e atividades voltadas ao avanço dos estudantes.
Já a Escola Municipal Eugênia Scharlé trouxe a prática “Acessibilizar para Ensinar: caminhos para a participação e a aprendizagem de todos”, apresentada pela coordenadora Laila Lage e pela professora Adriana Pena. Com base no livro Obax, a proposta abordou práticas inclusivas e estratégias para ampliar a participação e garantir oportunidades de aprendizagem a todos os estudantes.
O segundo bloco reuniu experiências voltadas à intencionalidade pedagógica, à mediação docente, à literatura e à ludicidade. A Escola Municipal Promorar apresentou “Ler, Conhecer e Pertencer: literatura étnico-racial na alfabetização”, conduzida pela professora Elisângela Silva. A experiência destacou a literatura étnico-racial como recurso para valorizar identidades, ampliar a representatividade e fortalecer o sentimento de pertencimento desde os primeiros anos escolares.
A Escola Municipal Cônego José Higino de Freitas compartilhou “Jogar para Aprender: os jogos no processo de alfabetização”, apresentada pela professora Maria de Fátima Oliveira. A prática evidenciou o uso de jogos como estratégia para favorecer a aprendizagem do sistema de escrita alfabética.
Encerrando as apresentações, a Escola Municipal Professora Cicinha Moura Simon trouxe “Jogos matemáticos: pensar, raciocinar e aprender”, com a vice-diretora Marília Mendes e as professoras Renir Silva e Taís Soares. A proposta destacou as possibilidades dos jogos para desenvolver o raciocínio matemático, estimular a resolução de problemas e fortalecer a colaboração entre os profissionais, incluindo a articulação entre as atividades da sala de aula e da Educação Física.
As apresentações foram acompanhadas pelos mediadores Ricardo Alisson, coordenador pedagógico da Escola Promorar, e Luciene Oliveira, diretora da Escola Germin Loureiro. Ambos contribuíram com reflexões sobre as práticas compartilhadas e os desafios do processo de alfabetização.
Ricardo ressaltou a importância da intencionalidade pedagógica, da organização da rotina e do planejamento de intervenções adequadas aos diferentes níveis de aprendizagem das crianças. Ele também destacou que a avaliação deve servir de base para compreender as necessidades dos estudantes e orientar as ações dos professores. “Eu não avalio para guardar o resultado ou apenas registrar no boletim. Eu avalio para conhecer o meu aluno, identificar em que ponto ele está e pensar no que precisa ser proposto para que avance”, pontuou.
Luciene, por sua vez, destacou o papel da literatura, dos jogos e das experiências contextualizadas na construção das aprendizagens. A educadora ressaltou a importância de considerar as diferentes dimensões do desenvolvimento infantil, valorizando a participação, a interação e as vivências que fazem sentido para as crianças. Também reforçou a necessidade de planejar propostas que contemplem as particularidades dos estudantes e garantam condições efetivas de participação e aprendizagem.
Ao final do seminário, os educadores responsáveis pelas apresentações e os mediadores receberam certificados em reconhecimento à contribuição para a formação da rede municipal e ao compartilhamento de práticas desenvolvidas nas escolas. O encontro reafirmou a importância do trabalho coletivo, da reflexão sobre a prática docente e da construção de estratégias que assegurem o direito de todas as crianças à alfabetização.

