João Monlevade e Região

Briga na Justiça: avô despeja netos de tradicional loja em João Monlevade

Rapazes procuraram a reportagem do jornal O Celeste para contar o drama vivido pela família. Fotógrafo conhecido na cidade também deu a sua versão dos fatos

Nesta semana, a reportagem do jornal O Celeste foi procurada por Mateus Souza Silva e Oliveira, 19 anos, e  Lucas Souza Silva e Oliveira, 22 anos. Eles são filhos de Walden Oliveira (falecido no ano passado) e netos do fotógrafo José Alves (Zezinho do Foto).  Os rapazes relataram drama familiar vividos por eles e que chamou atenção nos últimos dias. Conforme relatos deles, uma briga familiar começou logo após a morte do pai e culminou que o despejo dos dois da loja que era da família. Um depoimento foi enviado ao jornal O Celeste narrando os acontecimentos.

Conforme o texto, a loja de fotos era uma sociedade composta por três irmãos e  devido a grandes problemas internos, Walden resolveu deixar a sociedade. Os irmãos não aceitaram o fato dele e começou toda confusão. Depois de um bom tempo, Walden resolveu comprar a loja e teve apoio do pai, Zezinho da Foto.

“Os irmãos exigiram um preço absurdo que foi sendo negociado até fechar em um x valor e meu pai conseguir comprar a loja no ano de 2015. Foi negociado um valor de entrada e acordado R$ 2 mil, para cada sócio durante dois e três anos. No último ano, meu pai pegou um empréstimo para finalizar o pagamento! Foi nesse empréstimo que ele se complicou. Depois disso, a mãe do meu pai deu as costas para ele. Tanto que, desde então que meu pai parou de frequentar a casa dos meus avôs.  Em dezembro de 2018, o banco começou a cobrar o pagamento do empréstimo e como o meu avô era avalista da loja, meu pai ficou desorientado. O banco queria penhorar algum de seus bens! Ele não falou com meu avô por vergonha e colocou uma moto à venda para tentar quitar o debito. Sua situação financeira naquele momento estava ruim”, consta no relato de um dos rapazes.

O jovem prosseguiu a história. contanto que no dia 5 de junho do ano passado, o pai dele tirou a própria vida, deixando uma dívida de R$ 93 mil e diversas contas atrasadas da loja. “Mas também deixou nosso único sustento, a loja, que ele tanto brigou, conquistou e fez de tudo para reerguê-la”, disse.

Dez dias após a morte do pai, o rapaz afirmou que o avô foi até a loja. Ciente das dívidas, o senhor teria levado para os netos um contrato de aluguel do estabelecimento de R$ 5 mil a R$ 6 mil, alegando que, se o valor não fosse pago, eles deveriam deixar a loja. ” O único fator possível desse ato, foi o fato deles terem remorso a toda à briga, ter dado as costas para o meu pai e posteriormente, procurar um culpado para esse fato, culpando minha mãe, eu e meu irmão”, ponderou o rapaz que continuou a história: “saímos da casa onde morávamos por livre e espontânea vontade e, posteriormente, ele [o avô] havia mencionado que se caso ainda estivéssemos usufruindo do imóvel, seria exigido um aluguel.

“Meu irmão e eu tentamos de toda forma conversar com ele [o avô], alegando que estava errado o que ele estava fazendo conosco, sendo que nunca houve aluguel. Existia um contrato verbal com o meu pai de que ele poderia usar o imóvel sem nenhum custo, pois estava dando sequencia a uma empresa da família, conhecida por toda cidade e região. Mas, infelizmente, não adiantou, em uma das conversas com ele, tivemos a sensação de estar sendo coagidos, sentimos medo de algumas palavras que ele mencionava em relação a minha mãe e fomos atrás de uma medida protetiva. Mas que posteriormente foi retirada. Ele entrou na justiça contra a gente, deixando bem claro que existem bens mais preciosos que a família e deixando a gente assustado com a ganância por dinheiro (que não seria necessário para ele, sendo que ele, nunca contou com esse dinheiro de aluguel da foto central ). Depois do começo do processo, eu e meu irmão, tivemos que parar de estudar e de correr atrás dos nossos sonhos. Cancelamos também nosso plano de saúde, pelo fato de não termos condição de arcar com gastos altos e, em momento algum, meu avô estendeu a mão para nos ajudar. Mantivemos a loja aos trancos e barrancos durante um ano e um mês, para defender o legado que nosso pai nos deixou, mesmo com toda confusão na justiça e enfretamento diário deles. Passando enfrente a loja todo instante, encarando, rindo de nós. Nossa mãe trabalhando para ajudar ao máximo dentro de casa, sendo proprietária de um Studio fotográfico”, consta em outro trecho do depoimento à reportagem.

O despejo

O dia do despejo também foi relatado à reportagem por um dos netos de Zezinho da Foto. O rapaz contou que no último dia 3, às 09h40, um oficial de justiça chegou à loja com uma ordem de despejo. “O nosso avô despejando os netos, alegando que deveria ocorrer uma saída imediata, caso contrário, o proprietário do imóvel tomaria posse de todos nossos bens presentes na loja. Fomos pegos de surpresa e não esperávamos que ele tivesse coragem de fazer isso com a gente, sendo que somos os únicos bem e presente que nosso pai deixou para ele. Pedimos ajuda a nossa família e chamamos alguns amigos para remover tudo da loja se não ficaríamos sem nada”.

Os materiais da loja foram guardados por um empresário vizinho ao estabelecimento. Conforme os rapazes, ele cedeu espaço para que fossem armazenados  balcão, máquina de revelação, móveis entre outras coisas.

“Almoçamos sentados no chão, em frente à loja, porque se fechasse a porta durante o almoço, eles alegariam que já havia sido retirado tudo lá de dentro. Fizemos um cartaz de agradecimento (que foi rasgado após a entrega da chave do imóvel) pelo tempo que estivemos no local. Sabemos que nessa vida não é fácil, que é difícil conquistar um patrimônio e tudo se conquista com o suor do trabalho. Lutamos, tentamos e ainda vamos tentar manter o legado do nosso pai, um legado de muita humildade e luta que nos foi deixado. Só Deus sabe o quão foi difícil todo esse tempo, infelizmente a “facada” veio de quem a gente menos esperava, em um momento tão delicado e a partir do momento que eles tentam afetar a minha mãe, se esquecem que nós, somos uma família forte e unida. Infelizmente teve que acabar assim, fomos expulsos por nosso próprio avô, mas também fomos abraçados por amigos e colegas que pegaram a nossa dor e lutaram ao nosso lado”, finalizam o relato.

O outro lado

A reportagem procurou Zezinho da Foto para que ele também contasse a sua versão do ocorrido. Ele recebeu O Celeste, em companhia de dois filhos, em seu escritório, localizado na Rua Ares Quaresma, no Centro de Carneirinhos.

 “Irei esclarecer por etapas, iniciou, Zezinho, explicando: “a mãe dos dois netos, morava em uma de minhas casas em companhia de um filho, falecido. Residiram por 18 anos e nunca foi cobrado aluguel. Eles saíram espontaneamente e só fiquei ciente uma semana depois. Mesmo assim, os três continuaram morando na casa, sem nenhuma cobrança solicitada”, disse.

Segundo os filhos de Zezinho, o imóvel comercial também não era cobrado aluguel. “Foi permitindo a permanência de mais três anos e, após esse prazo, foi oferecido uma proposta de aluguel simbólico, mas recusado pela mãe dos rapazes que preferiu procurar um advogado na cidade, querendo posse do imóvel. Esse advogado nos comunicou do assunto”, pontuaram.

O que teria pesado na retirada dos netos do imóvel foi a medida protetiva, segundo Zezinho e seus dois filhos.  A mãe dos rapazes teria procurado a Policia Civil pedindo e conseguido medida contra Zezinho. De acordo com eles, os dois netos também pediram e assinaram medidas, até impossibilitando Zezinho entrar no imóvel. Depois disso, ressaltou Zezinho, ele  não teve outro meio a não ser procurar a justiça. “Qualquer que seja determinada situação, posso ser responsável. Preferi me resguardar judicialmente”, ponderou.   Quanto aos netos, nada contra eles” finalizou o fotógrafo.

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